Mil Facetas, Uma Essência

 

Olha bem para mim. Achas que me conheces? Achas que já decifraste todos os meus mistérios, que deslindaste cada camada da minha pele, cada dobra da minha alma? Cuidado com essa confiança. Já vi muitos acharem que tinham o mapa do tesouro e acabarem perdidos no labirinto.

És daqueles que gostam de certezas? Então, lamento desiludir-te. Hoje, posso ser tempestade, amanhã, brisa leve. Posso ser um incêndio que consome ou a água que apaga. Sou quem sorri com doçura e quem fere com um olhar. Quem se dá por inteiro e quem desaparece sem aviso. Uma caixinha de surpresas, dizem. Talvez um enigma sem solução. Talvez apenas alguém que se recusa a caber em rótulos, a vestir a previsibilidade como uma segunda pele.

A questão não é saber quem eu sou. A questão é: estás preparado para nunca saber?

Se precisas de regras fixas, se anseias pelo conforto do que não muda, vais cansar-te depressa. Aqui, a única garantia é a mudança. Hoje, sou um poema doce; amanhã, um sarcasmo afiado. Hoje, sou porto seguro; amanhã, sou mar revolto.

Mas não te preocupes. No fundo, há sempre uma lógica no caos. Uma essência que não se perde, mesmo quando muda de forma. Se souberes ler além da superfície, escutar os silêncios e decifrar os olhares, talvez percebas. Talvez, um dia, quem sabe…

Mas até lá, sugiro que ponhas a tocar “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan. Pode ser que entendas. Ou talvez fiques ainda mais perdido. E olha que eu não vou dar pistas.





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