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PEDI SOCORRO. VIERAM FARÓFIAS. 🍒

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Hoje mandei uma mensagem a uma amiga muito querida: «Panic attack, panic attack, panic attack.» Três vezes. Para não parecer que estava a dramatizar. E o que recebi? Farófias. Eu enviei um pedido de socorro. Ela respondeu com claras em castelo. Deu-me uma coisa de que eu precisava mais do que de outra explicação: conforto . Comfort food. Comfort feelings. Uma amiga a dizer «estou aqui» sem precisar de escrever isso. Bastou fazer farófias. Há quem mande ter calma. Ela mandou sobremesa. Sabe claramente com quem está a lidar. À noite, lá vamos as duas passear os cães e pôr a conversa em dia. O meu e a cadela dela são primos. Fomos nós que estabelecemos o parentesco; eles nunca pediram documentação. Ela levanta a patinha com modos de donzela. O meu trata do assunto à sua maneira. Nós também vamos tratando dos nossos. Com conversa, companhia e a delicadeza de não exigir que a outra esteja sempre bem. Obrigada, minha querida. Pelas farófias, pelos passeios e por teres percebi...

NÃO É DEFEITO. É CONTROLO DE QUALIDADE. 🍒

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  NÃO É DEFEITO. É CONTROLO DE QUALIDADE. 🍒 Nasci com qualquer coisa cá dentro que se recusa a aceitar o «serve perfeitamente». Não sei o que é. Nunca apareceu nas análises. O meu bisavô chamava-me padeira de Aljubarrota. Os meus primos queriam todos ser xerifes, por razões que envolviam tiros e a minha pessoa. Era a primeira rapariga da família. Aparentemente, já se notava. Depois vieram os outros nomes. Em criança, chamavam-lhe feitio. Mais tarde, exigência. Hoje, algumas pessoas preferem dizer que sou difícil. É uma evolução interessante para uma característica que, até ver, só tem dado lucro. Já tentei ser mais acomodada. Pareceu-me uma excelente ideia durante os primeiros minutos. Depois alguém disse «sempre se fez assim» e estragou tudo. Tenho uma admiração imensa pela confiança de quem apresenta a duração de um erro como prova de qualidade. «Não compliques.» Eu não estava a complicar. Estava a perguntar se aquilo funcionava. Reconheço que, em certos ambientes, é...

THE PLOT TWIST WAS NOT OUTSOURCED. 🍒

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I once accepted a job below my usual level because I wanted to work from home. A modest ambition. Apparently, I should also have arranged to leave my experience somewhere outside. The garage, perhaps. Unfortunately, I brought it to meetings. This proved inconvenient. I noticed things. Asked questions. Suggested improvements. I had mistaken "teamwork" for an invitation to contribute. An administrative error. Some people were rather senior. Mainly in the email signature. Explaining how to manage to the person managing you is a delicate business. Particularly when they consider the job title sufficient training. I had accepted a smaller role. I hadn't agreed to a smaller brain. Eventually, we parted company. By then, I was already looking elsewhere. There is only so much professional development one can provide accidentally, from the wrong end of the reporting line. Then came a rather exquisite coincidence. The company that actually owned the project recruited ...

A VIDA TEM O FORNECEDOR ERRADO. 🍒

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Se a vida me der limões, agradeço que guarde o talão. Houve um engano na encomenda. Eu pedi chocolates. Há sempre alguém que recomenda fazer limonada. Admiro esta gente. Uma pessoa recebe um problema e ainda lhe arranjam trabalho: espremer, juntar açúcar, lavar a cozinha. A adversidade chega de mãos vazias e acaba a beber um refresco à nossa custa. Depois vem o clássico: «Tudo acontece por uma razão.» Certamente. Às vezes, a razão é alguém ter feito asneira e nós estarmos mais perto para limpar. Mas convém sorrir. Ser grata. Ver o lado positivo. Eu vejo. Tenho uma excelente vista para a falta de noção. Aos sessenta, já desenvolvi bastante resiliência. Preferia ter desenvolvido uma pequena fortuna, mas aparentemente houve limitações orçamentais. «É nas dificuldades que crescemos.» Pois. A esta altura, já devia precisar de autorização da Câmara para mais um andar. Não preciso de outra lição. Preciso que a matéria deixe de sair no exame. Portanto, querida vida, vamos rever o...

EL REGALO INESPERADO 🍒

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Siempre he pensado que los regalos deberían venir acompañados de ciertas garantías. Una presentación decente, por ejemplo. Una tarjeta, un lazo bonito y, si fuera posible, alguna indicación sobre lo que se supone que debemos hacer con ellos. No me parece pedir demasiado. Sin embargo, la vida tiene un concepto bastante particular de la cortesía. A veces nos entrega algo sin previo aviso, sin instrucciones y sin siquiera molestarse en explicar por qué lo ha elegido para nosotros. Y lo más desconcertante es que, al principio, ni siquiera parece un regalo. Puede llegar disfrazado de un cambio de planes, de una coincidencia improbable o de una de esas situaciones que nos obligan a mirar dos veces para comprobar que hemos entendido bien. Una se queda observando el paquete imaginario, preguntándose si habrá ocurrido algún error en el reparto. Esto no estaba en mi lista. Pero nadie responde. Y tampoco existe un departamento de devoluciones. Con el tiempo, naturalmente, una aprende ...