Valores e Verdades


Dizem que nada assusta mais o destino do que uma mulher que se recusa a desistir.

Eu não sei se assusto o destino, mas sei que já meti muito boa gente em sentido.

Não por gritar.

Não por ameaçar.

Mas por continuar de pé quando o esperado era ver-me de joelhos.


Recuso-me a desistir daquilo em que acredito.

Mesmo quando parece não haver lógica nenhuma.

Mesmo quando me dizem, com aquele ar condescendente que me dá urticária emocional, que “talvez estejas a ser idealista demais”.

Sim, talvez esteja.

E daí? Há pior vício do que acreditar em alguma coisa com o corpo todo?


Recuso-me, sobretudo, a desistir de mim.

Daquilo que sou. Dos valores que me fundam. Das coisas que não negocio, nem por afecto, nem por cansaço, nem por medo de perder quem nunca foi verdadeiramente meu.


Tenho sido amiga.

Daquelas a sério. Daquelas que ouvem sem julgar, ajudam sem medir, e aparecem quando a maioria arranja desculpas.

E, sim, também já fui ingénua.

Achei que quem recebia esse tipo de amizade saberia valorizá-la.

Erro meu.

Há quem receba ouro e pense que é só peso.


Hoje lamento, não o que dei, mas a quem dei.

Algumas pessoas, com o tempo, revelaram-se.

Não foram más.

Foram pequenas.

Demasiado pequenas para perceberem a grandeza de quem se lhes oferecia de coração aberto.


Mas não deixei de ser eu.

Nem quero.

Porque o mundo está cheio de máscaras, e eu continuo a gostar da minha cara limpa, mesmo com olheiras.


Às vezes, confesso, cansa.

Cansa bater contra paredes bem pintadas.

Cansa ver bondade confundida com fraqueza.

Cansa ter de levantar a cabeça quando o que apetece é enfiá-la na areia da praia mais distante.

Mas não desisto.


Porque apesar de tudo, ainda acredito.

Acredito na força de uma mulher que pensa, sente e escolhe não se calar.

Acredito no valor de quem se dá com inteireza.

E acredito que há por aí, no meio do ruído, quem saiba reconhecer o que é ser genuíno.


Por isso continuo.

Às vezes exausta.

Outras vezes em silêncio.

Mas sempre inteira.


E quem não soube valorizar, que siga.

Com educação, com distância e, se possível, sem me chamar outra vez.









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