alma em chamas
não sou flor.
sou fogo.
e nunca precisei que ninguém me regasse para crescer.
sou uma mulher que vem de uma geração que já não pede desculpa por existir.
uma geração que já não suaviza para caber.
uma geração que já não disfarça força com delicadeza.
sou feita de escolhas difíceis, silêncios pesados e decisões que ninguém viu.
mas que me trouxeram até aqui — inteira, bruta e desperta.
não me deixo reduzir à coroa que carrego.
porque por baixo dela, há cicatrizes. há sombras.
e há uma força que não grita — mas quando fala, faz tremer.
há dias em que sou paz. há dias em que sou luta.
e ambos são legítimos.
aprendi a não pedir permissão para ser tudo o que sou.
porque a verdade é esta: nada me abala.
posso hesitar por segundos, mas nunca caio por completo.
sei cair de pé.
não sou mulher de meias palavras, nem de sentimentos mornos.
se amo, amo com o peito aberto.
se corto, corto limpo.
não sei fingir o que não sinto — e isso assusta muita gente.
porque sou transparente até quando preferiam que eu fosse opaca.
já me tentaram dobrar. já quiseram que eu fosse menos.
mais contida, mais gentil, mais fácil de lidar.
mas eu não vim para ser acessível — vim para ser real.
sou mulher.
sou nova geração.
sou o resultado de todas as vezes em que me quiseram calar — e eu falei mais alto.
de todas as portas que me fecharam — e eu entrei pela janela.
de todas as vezes em que duvidaram de mim — e eu surpreendi em silêncio.
não sou santa.
não sou vilã.
sou humana.
mas com uma força crua, que não cabe em rótulo nenhum.
não sou fácil de amar, mas sou impossível de esquecer.
e quem acha que pode testar os meus limites, ainda não percebeu que eu os desenhei precisamente para proteger o que tenho de mais valioso: a minha liberdade.
sim, sou uma mulher com alma em chamas.
e não, não se brinca com fogo.

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