ser mulher plena
ser mulher plena
ser mulher plena nunca foi, para mim, um destino a alcançar. é um estado que construo dia após dia, entre silêncios que dizem muito e palavras que escolho cuidadosamente. já senti o que é não ser compreendida, já vivi o que é não caber nas expectativas que os outros moldam para mim.
mas aprendi, e continuo a aprender, que a minha plenitude não depende do olhar alheio. ela vive em mim. inteira. firme. serena. e quando o mundo não consegue processar a minha imagem, eu torno-me ainda mais nítida para mim mesma.
quando não me vêem bem, vejo-me melhor
sim, já me tentaram ler pela metade. já projetaram sobre mim versões que não reconheço. e houve momentos em que quase acreditei que talvez o erro fosse meu. mas não era. nunca foi.
foi aí que percebi a força da empatia, primeiro comigo. comecei a escutar-me mais. a aceitar que sou feita de múltiplas camadas, todas válidas. e, à medida que fui permitindo que cada parte de mim existisse, comecei a ver os outros com mais compaixão. mas sem deixar que me invadissem.
empatia sem ego
eu não escuto para responder, escuto para compreender.
a empatia que carrego é escolha, não obrigação.
é ela que me permite criar laços reais, profundos.
comigo. com os outros. com a vida.
resiliência com raízes
já me levantei tantas vezes que perdi a conta.
não faço disso um troféu, faço disso base.
aprendi a não endurecer para sobreviver.
a minha resiliência não é barulhenta, é estrutural.
autenticidade tranquila
não preciso que me validem para saber que sou suficiente.
a minha autenticidade não vem de fora, vem de dentro.
sou quem sou, e essa paz não se ensina, sente-se.
comunicação com clareza e cuidado
escolho bem as palavras que uso.
não para parecer, mas para ser clara.
a minha comunicação é ponte, não arma.
e isso é um poder calmo, mas transformador.
liderança que inclui
não lidero para controlar.
lidero quando inspiro.
quando dou espaço.
quando vejo o potencial do outro e o convido a florescer.
é aí que sei que sou mulher plena: quando o que dou multiplica.
o que é, para mim, ser mulher plena
é ser colo e tempestade.
é não pedir desculpa por sentir.
é saber dizer “não” sem ter de justificar.
é não gritar para ser ouvida, mas deixar marcas pela forma como estou.
é amar-me ao ponto de já não precisar provar o meu valor.
é saber estar só e não me sentir sozinha.
é escolher, todos os dias, a minha verdade — mesmo quando dói.
eu sei quem sou
nem todos vão entender-me. nem todos vão ver-me.
e isso, hoje, já não me abala.
porque eu vejo-me.
e isso basta.
ser mulher plena é não precisar gritar quem sou:
é deixar que descubram, subtilmente, no modo como me mantenho inteira.
há algo nesta canção que me traduz.
uma beleza crua, imperfeita, real.
tal como eu.
tal como ser mulher plena é.

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