sem devoluções possíveis

 












olá — a ti, seja quem fores (ou penses que és),


a vida, ao contrário do que pareces acreditar, não vem com comando.

não há pausa, não há retrocesso, e muito menos um botãozinho simpático de “ups, enganei-me” que possas carregar a meio do espetáculo.


fizeste escolhas. corajoso da tua parte.

e cá estamos. a assistir às consequências como quem vê teatro.

oferecia pipocas, mas já não sou assim tão generosa.


vê lá tu que eu não dou segundas voltas.

não para quem achou que eu era uma fase.

não para quem confundiu silêncio com fraqueza.

e muito menos para quem pensou que eu não ia perceber.


as ações têm eco, querido.


as palavras que largaste como migalhas, os olhares que pensaste que me escapavam,

aquele gozo disfarçado ao achares que eu ia quebrar —

tudo deixa marca.

mas aqui está a parte divertida: eu não quebro. solidifico.


achaste que eu era macia.

enganaste-te redondamente.

e agora?


talvez estejas à espera de um reset. um recomeço limpinho.

mas isto não é a playstation, meu amor.

isto é vida real.

e tu jogaste. mal.


agora ficas com as consequências,

enquanto eu sigo em frente — coluna direita, fogo no peito,

e zero vontade de olhar para trás.


não estou zangada. estou atenta.


e é isso que me torna perigosa.

não é raiva. não é vingança.

é a calma certeira de quem sabe,

com todas as letras,

que não deve nada a ninguém.

e talvez, vá… talvez só te deva esta última frase:


escolhe melhor da próxima vez —

se a vida te der esse luxo.









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