Coragem e Caos
Sou uma rainha, sim. Mas não daquelas de contos de fadas, sou feita de noites mal dormidas, sarcasmo refinado e uma paciência que vive em contagem decrescente.
Levanto-me tarde, porque o meu relógio biológico não foi feito para o padrão da maioria. Trabalho à noite, longe do frenesim das horas de ponta e do drama do trânsito. Não, o meu caos é silencioso e vem em forma de e-mails às três da manhã, tarefas urgentes enviadas por chefes que presumem que trabalhar remotamente significa estar sempre disponível. Spoiler alert: não estou.
Remoto, mas não desligada. Estou a gerir tudo, todos os dias, com uma eficiência que mete inveja à NASA. Mas por trás dessa produtividade toda, por baixo desta coroa invisível, vive uma versão minha que não se deixa enganar. Tenho a suavidade de uma flor, mas não confundas isso com fraqueza, há um toque de gangster no meu sangue e uma pitada de loucura estrategicamente colocada onde for preciso. Eu chamo-lhe equilíbrio. Tu podes chamar-lhe aviso.
Há quem pense que por estar sempre online, sempre presente, sempre pronta, sou previsível. Enganam-se. Eu sou tudo menos previsível. Sou aquela que sabe rir quando tudo arde. Que mantém a classe quando a raiva quer saltar da pele. Que sorri, mas que não esquece. Sou a que responde com silêncio quando a resposta devia ser gritada. E é aí que reside o verdadeiro poder: no controlo que me permito ter, mesmo quando o mundo me quer tirar tudo.
E esta mensagem é para ti. Sim, tu sabes quem és. Aquela tentativa disfarçada de desafio? A falta de respeito disfarçada de brincadeira? A tentativa de testar os meus limites? Pois bem, aviso feito: não me testem. Eu sou paciente, mas não sou santa. Tenho a calma de quem já viu muito, e a fúria de quem não vai tolerar mais nada.
Sou o tipo de mulher que prefere a paz, mas não tem medo da guerra. Que trabalha de pijama mas constrói impérios. Que chora em silêncio e levanta a cabeça como se nada fosse. Que ama profundamente, mas corta laços com a mesma profundidade se necessário. E quando corto, é limpo, definitivo, sem olhar para trás.
Por isso, antes de pensares que me conheces ou que me controlas, lembra-te: por baixo da coroa há um furacão. E se vier à tona, não há sobreviventes. Mas até lá, continuo aqui. Firme. Lúcida. Letal, se for preciso.
Fora da norma. Genuína. Crua. Como eu.
Ou ouves… ou então vais ouvir, de outra forma.

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