Sem Tréguas Hoje
Sou uma mulher de cinquenta e poucos anos. Não, não sou fácil. Não sou “fofinha”. Não sou a mulher que sorri para agradar quando alguém me diz algo completamente desrespeitoso, e muito menos sou a que engole em seco só para manter a paz. A paz, se for à custa da minha dignidade, podem ficar com ela. Façam um laço e ofereçam-na a quem ainda vive à sombra de mulheres obedientes.
Cresci, aprendi, levei pancada da vida e levantei-me todas as vezes com mais força do que a anterior. Hoje, o que muitos chamam de “complicada”, “tóxica”, “difícil”, “intensa” ou “intragável”… eu chamo de autoconhecimento. Eu chamo de auto-respeito. E sabem que mais? Com mulheres como eu, é MESMO complicado brincar-se.
Porque eu já não aceito meias palavras.
Porque já vivi o suficiente para saber o custo de acreditar nelas.
Porque já me perdi demasiadas vezes em discursos bonitos que vinham vazios por dentro.
Porque já me deixei iludir por quem dizia muito e fazia pouco.
E porque agora, para estar na minha vida, não chega falar bem, é preciso viver com verdade.
Há quem se sinta ameaçado pelo facto de eu exigir respeito como base, e não como um “bónus simpático”. Mas isso diz mais sobre eles do que sobre mim. Se vos incomoda uma mulher que não tolera lixo emocional, talvez o lixo não esteja em mim. Já pensaram nisso?
A minha geração sobreviveu ao machismo disfarçado de romantismo, às expectativas sociais de sermos sempre doces, apresentáveis, arranjadinhas e caladas. Algumas de nós até desempenharam esse papel durante tempo demais. Mas depois acordaram. Eu fui uma delas. E hoje, não volto a adormecer.
Ontem, estive no concerto do Lenny Kravitz em Lisboa. Que energia, que presença, que som do caraças! É esse tipo de vibração que me move: autêntica, livre, sem filtros. Uma guitarra a rasgar o silêncio e a dizer tudo o que há a dizer, sem pedir desculpa. Como eu. Como nós.
Se ainda não perceberam: este post não é um aviso. É uma constatação.
Com estas mulheres, brinca-se… uma vez. Nunca duas.

Comentários