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Amizades: O Manual de Instruções Que Ninguém Lê

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  As amizades verdadeiras são como plantas exóticas: raras, delicadas e exigem cuidados constantes. Mas, claro, todos sabemos que basta regá-las uma vez por ano e deixá-las ao sol escaldante da indiferença para que floresçam esplendidamente… ou talvez não. É curioso como tratamos os amigos como se fossem mobília antiga: estão ali, sempre presentes, prontos para uso quando nos convém. E quando começam a ranger ou a mostrar sinais de desgaste? Bem, há sempre a opção de os encostar num canto escuro do sótão emocional. Depois, vem a surpresa teatral quando percebes que aquele amigo, que negligenciaste durante anos, finalmente decidiu partir. “Como pôde?” – perguntas, enquanto ignoras as inúmeras mensagens não respondidas e os convites declinados com desculpas esfarrapadas. A verdade, por mais desconfortável que seja, é que as amizades não são contratos vitalícios. Elas precisam de manutenção, de atenção, de gestos que demonstrem que nos importamos. Caso contrário, transformam-se em me...

Um Elogio Pode Ser Luz

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Às vezes, tudo o que alguém precisa para se sentir visto, valorizado, lembrado… é um simples elogio. Simples para quem o dá. Gigante para quem o recebe. Elogiar é tocar o coração de alguém com palavras. É dizer: “Vejo-te. Reconheço o que há de bom em ti.” E o mais bonito? Não importa a fase da vida em que a pessoa se encontra. Todos merecemos ouvir algo bom sobre nós — seja numa fase feliz, numa fase difícil, ou até mesmo numa fase em que tudo parece escuro. Talvez alguém esteja a passar por um momento complicado e o teu elogio seja o único raio de luz no dia dessa pessoa. Talvez esteja tudo bem, mas aquele carinho extra torne o dia ainda mais especial. A verdade é que um elogio sincero tem o poder de transformar. Às vezes muda o humor. Outras vezes, muda uma vida inteir a. Por isso, não guardes palavras bonitas. Se admiras, diz. Se achas lindo, partilha. Se reparaste em algo positivo, valoriza. Elogia como se as tuas palavras fossem esperança. Porque são. Elogia como se pudesses mudar...

Réu Confesso

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Há quem escreva frases bonitas como se fossem confissões. “Uma mentira é uma mentira… mesmo a mais branca das mentiras é uma mentira.” Li isto vindo de alguém que me mentiu. Repetidamente. E naquele instante, percebi tudo: ele não estava a confessar — estava a encenar. É importante dizer isto de forma clara: quando alguém mente compulsivamente, essa pessoa não vive apenas em função da mentira — ela existe através dela. A mentira é o seu escudo, a sua arma, o seu alimento. E muitas vezes, nem tem plena consciência disso. Do ponto de vista psicológico, o mentiroso compulsivo pode surgir de uma infância marcada por medo, insegurança, castigos ou ambientes em que a verdade nunca teve espaço seguro para existir. Cresce, então, a usar a mentira como ferramenta de sobrevivência. Mas o que começa como defesa, torna-se vício. Um padrão. Uma personalidade. E é aí que tudo se torna perigoso. Um mentiroso compulsivo não mente só sobre onde esteve ou o que fez. Mente sobre o que sente. Sobre quem ...

Mentiras

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Há pessoas que mentem por necessidade. Outras por hábito. Outras ainda porque nem sabem que estão a mentir — acreditam tanto na ilusão que criaram que já não distinguem o que é real. Eu fui enganada durante mais de um ano por uma dessas pessoas. Um mentiroso compulsivo. Alguém que mente com convicção. Que olha nos olhos enquanto te ilude. Que manipula, que distorce, que fabrica versões da realidade onde ele é sempre a vítima, o herói, o homem ideal. E eu, com toda a minha boa-fé, acreditei. Amei. Apoiei. Estive presente. Fui leal. Dei tudo o que podia. Hoje percebo que caí num enredo meticulosamente construído. Mentiras sobre o passado, sobre sentimentos, sobre intenções, sobre factos. Meias-verdades ditas como se fossem inteiras. Verdades omitidas com precisão cirúrgica. Histórias escondidas atrás de sorrisos, de promessas doces, de mensagens calculadas. A pior parte? Muitas dessas mentiras não eram sequer ditas para enganar — eram ditas porque ele próprio já acreditava nelas. O men...

E Saí com Estilo

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  Há momentos na vida em que só há uma coisa sensata a fazer: olhar em volta, levantar a sobrancelha, inspirar profundamente e dizer, com a mais genuína elegância interior: “Sou demasiado brilhante e fabulosa para esta palhaçada.” E depois virar costas. Com classe. (E, se possível, com vento a soprar no cabelo.) Porque, convenhamos, há uma altura em que já não dá para fingir que estamos a lidar com adultos. Quando o nível de disparates atinge o ridículo e o argumento mais sólido do outro lado é um “não sei” com entoação dramática e vocabulário emocional de uma torradeira, resta-nos apenas uma opção viável: fazer exit à Grace Kelly. Sim, falo daqueles momentos em que a conversa parece escrita por argumentistas de uma novela barata. Daquelas em que ninguém ouve ninguém, os argumentos são circulares e as desculpas soam como se tivessem sido criadas por um gerador automático de asneiras emocionais. E não, não é arrogância. É auto-preservação com brilho. É sensatez com salto alto. É olh...