Mentiras

Há pessoas que mentem por necessidade. Outras por hábito. Outras ainda porque nem sabem que estão a mentir — acreditam tanto na ilusão que criaram que já não distinguem o que é real. Eu fui enganada durante mais de um ano por uma dessas pessoas. Um mentiroso compulsivo. Alguém que mente com convicção. Que olha nos olhos enquanto te ilude. Que manipula, que distorce, que fabrica versões da realidade onde ele é sempre a vítima, o herói, o homem ideal. E eu, com toda a minha boa-fé, acreditei. Amei. Apoiei. Estive presente. Fui leal. Dei tudo o que podia. Hoje percebo que caí num enredo meticulosamente construído. Mentiras sobre o passado, sobre sentimentos, sobre intenções, sobre factos. Meias-verdades ditas como se fossem inteiras. Verdades omitidas com precisão cirúrgica. Histórias escondidas atrás de sorrisos, de promessas doces, de mensagens calculadas. A pior parte? Muitas dessas mentiras não eram sequer ditas para enganar — eram ditas porque ele próprio já acreditava nelas. O men...