Por mais sofisticados que sejamos ou queiramos ser, tropeçamos, a cada momento, em clichés, frases feitas, realidades bipartidas, concepções simplistas do bem e do mal. Para não complicar, para despachar, para não pensar muito no assunto ou perder tempo, condensamos, em pequenos pacotes de respostas meias feitas e prontas a servir, as nossas opiniões. Habituamo-nos a ter opinião sobre quase tudo o que é, ou vai sendo, de actualidade: o aborto, o adultério, a eutanásia, a pena de morte, as uniões de facto, o casamento homossexual, o assédio sexual, os maus tratos infantis, o planeamento familiar, os males do stress, a organização familiar, as novas religiões, os direitos das mulheres, a regionalização, a política monetária. Decidimos linearmente, e com base numa ou duas afirmações ou atitudes, às vezes descontextualizadas, quem são os culpados e os inocentes, os sérios e os desonestos, os credíveis e os inconsistentes. Alinhamos desportivamente em guerras de alecrim e manjerona sobre po...