A Calma Sempre Vem Depois da Tempestade

 


Vejo tudo com clareza agora. Não entrei nisto de forma ingénua, mas sim com uma abertura genuína, pronta para acreditar no melhor. Testei limites, observei sinais, dei o benefício da dúvida. Mas chega um momento—e ele chega sempre—em que a ilusão se desfaz.


Porquê eu? Eu nunca me engano por muito tempo. Fico confortável o suficiente, confiante o suficiente, para saber que o espaço que ocupo na vida de alguém é uma escolha minha. E se sentir que estou no lugar errado, saio. Não me prendo. Não perco tempo com o que não vale a pena. E, acima de tudo, vejo.


A verdade vem sempre ao de cima. Não importa quanto tempo demore, não importa o quanto tentem mascarar contradições, mais cedo ou mais tarde, a realidade impõe-se. Mas pergunto-me: será que não vi antes por ter sido tudo virtual? Será que a distância e a ausência do real me fizeram hesitar? Talvez. Mas mesmo assim, tenho perspicácia suficiente para notar os pequenos gestos, as pequenas atitudes que vêm do outro lado. Porque a verdade, por mais que se tente esconder, escapa sempre por entre as entrelinhas.


E foi por isso que escolhi ficar no jogo. Como uma verdadeira gamer, tal como o outro era. Quis perceber o que é o mundo do gamer, como funciona, quais são as regras. Mas… não foi bom. Foi vazio. Frio. Sem substância. A verdade é que, por mais que tenha tentado entrar nesse jogo, nunca foi um jogo à minha altura. E eu? Eu só jogo quando vale a pena.


O momento em que vi tudo pelo que realmente era—mensagens vazias, incoerências, falta de substância—foi o momento em que decidi que não valia mais a pena. E quando tomo uma decisão, é definitiva. Não preciso de um ano, nem de um mês, nem de uma semana. Estes últimos dias foram o suficiente para me libertar e dar espaço ao que realmente importa—a minha felicidade, a minha paz, o meu mundo.


E agora? Estou exatamente onde devia estar. Distante. Desapegada. A viver. Porque nenhuma desilusão passageira, nenhuma presença superficial, nenhuma distração sem valor pode abalar aquilo que sei ser verdade: a calma vem sempre depois da tempestade. E eu, como sempre, já estou ao sol.





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